quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Razões para não se casar com um não crente


por Kathy Keller*



Ao longo de nosso ministério, a questão pastoral mais comum que eu e Tim confrontamos provavelmente é a do casamento – atual ou futuro – entre cristãos e não cristãos. Muitas vezes penso que seria muito simples se eu pudesse simplesmente me retirar da conversa e convidar aqueles que já casaram com não crentes para falarem aos solteiros que estão buscando desesperadamente alguma brecha que os permita casar com alguém que não compartilham de sua fé.
Assim, eu poderia pular toda a parte de citar as passagens da Bíblia que chamam os solteiros a casar “contanto que ele pertença ao Senhor” (1 Coríntios 7.39), a não se submeterem ao “jugo desigual com descrentes” (2 Coríntios 6.14) e as prescrições do Antigo Testamento contra o casamento com o estrangeiro seguidor de outros deuses além do Deus de Israel (veja que em Números 12, Moisés se casa com uma mulher de outra raça, mas da mesma fé). Você encontra passagens assim em abundância, mas quando alguém já permitiu ao seu coração um laço com uma pessoa de outra fé, tenho visto que a Bíblia já foi diminuída de seu papel de regra não negociável de fé e prática.
Ao invés disso, as variações da pergunta da serpente para Eva – “Foi isto mesmo que Deus disse?” – surgem aos montes, como se, por acaso, esse caso específico pudesse ser algum tipo de exceção, levando em conta o quando eles se amam, o quando o não crente apóia e entende a fé cristã e como eles são almas gêmeas apesar da falta de uma fé que una as duas almas.
Já ficando velha e impaciente, às vezes tenho vontade de simplesmente falar “não vai dar certo, a longo prazo. O casamento já é difícil o bastante quando é entre dois crentes em perfeita harmonia espiritual. Se poupe da dor de cabeça e parta pra outra”. Entretanto, tal grosseria não está de acordo com o espírito pacificador de Cristo e nem é convincente.
Mais triste e mais sábia
Se eu pudesse apenas reunir aquelas mulheres mais tristes e mais sábias (e homens também) que se encontraram em casamentos desiguais (seja por sua própria tolice ou por um cônjuge que encontrou Cristo após o casamento) com os casais otimistas e radiantes que estão convencidos de que a sua paixão e o seu compromisso irão superar todos os obstáculos. Até o obstáculo da desobediência descarada. Apenas dez minutos de conversa – um minuto, se a pessoa for muito sucinta – seria necessário. Nas palavras de uma mulher que estava casada com um homem muito bom e gentil que não compartilhava de sua fé: “se você pensa que está sozinha antes de se casar, não é nada comparado à quão sozinha você ficará APÓS o casamento!”.
Na verdade, talvez essa seja a única abordagem pastoral eficaz: achar um homem ou uma mulher que esteja disposta a conversar honestamente sobre as dificuldades de sua situação e convidá-lo(a) para uma sessão de aconselhamento com o casal prestes a cometer um grande erro. Um alternativa, talvez, seria algum diretor criativo que estivesse disposto a percorre o país filmando indivíduos que estão vivendo as dores de um casamento com um não crente, e criar um documentário de uns 40 ou 50 depoimentos curtos (menos de 5 minutos). Talvez o peso coletivo dessas curtas histórias seja mais poderoso do que qualquer lição requentada possa ser.
Três saídas
Por enquanto, entretanto, não temos essa opção. Há apenas três caminhos que um casamento desigual pode seguir (e por desigual, estou disposta a flexibilizar ao ponto de incluir cristãos genuínos que desejam casar com um cristão nominal, ou talvez algum cristão completamente imaturo e desprovido de crescimento e experiência):
Para estar em maior sintonia com seu cônjuge, o cristão terá que empurrar Cristo para as margens de sua vida. Isso talvez não envolva repudiar diretamente a fé, mas em assuntos como vida devocional, hospitalidade com os crentes (reuniões de grupos pequenos, receber pessoas necessitadas em caráter emergencial), apoio a missões, dízimo, educação dos filhos, comunhão com outros crentes – tais coisas deverão ser minimizadas ou evitadas para preservar a paz do lar.
Por outro lado, se o crente do casamento mantém uma vida cristã firme e sólida, o cônjuge não cristão será marginalizado. Se ele/ela não entende o propósito de estudos bíblicos e oração, viagens missionárias ou hospitalidade, então ele/ela não poderá ou não irá participar dessas atividades junto com o cônjuge crente. A unidade e a união profundas do casamento não florescerão quando um cônjuge não pode participar completamente dos compromissos mais importantes da outra pessoa.
Então ou o casamento sofre até o ponto de acabar, ou o casal sofre junto, vivendo em algum tipo de trégua que envolve um ou outro abrindo mão de algumas coisas, de forma que ambos viverão sentindo-se sozinhos e infelizes.
Isso soa como o tipo de casamento que você quer? Um casamento que sufoca seu crescimento em Cristo ou sufoca o crescimento como casal, ou as duas coisas? Pense na passagem já citada de 2 Coríntios 6.14 sobre o jugo desigual. Muitos de nós já não vivem em culturas agrícolas, mas tente imaginar o que aconteceria se um fazendeiro ata-se à carroça, digamos, um boi e um jumento. O jugo pesado de madeira, projetado para se aproveitar das forças do conjunto, ficaria torto devido às diferenças de peso, altura e velocidade dos dois animais. O jugo, ao invés de aproveitar as forças do conjunto para completar a tarefa iria incomodar e machucar OS DOIS animais, já que o peso do fardo não estaria igualmente distribuído. Um casamento desigual não é tolice apenas para o Cristão, mas é injusto também com o não cristão, e acabará sendo um tormento para os dois.
Nossa experiência
Para fechar: um de nossos filhos começou a passar algum tempo, alguns anos atrás, com uma moça não crente, vinda de uma família de judeus. Ele nos ouviu falar sobre o sofrimento (e a desobediência) de um casamento com um não cristão por anos, então ele sabia que essa não seria uma opção (algo que reforçamos várias vezes de forma enfática). De qualquer forma, a amizade deles cresceu e se transformou em algo mais. Para dar algum crédito, nosso filho disse a ela: “eu não posso me casar com você a não ser que você se torne cristã, e você não pode se tornar cristã só para se casar comigo. Eu vou com você à igreja, mas se você deseja seriamente descobrir o cristianismo, você terá que fazer por conta própria – encontrar um pequeno grupo, ler livros e conversar com outras pessoas além de mim”.
Felizmente, ela é uma moça de muita integridade e coragem, e começou uma busca pelo entendimento das afirmações de exclusividade da Bíblia. Conforme ela crescia em direção à fé, para nossa surpresa, nosso filho também começou a crescer em sua fé, para manter o mesmo ritmo dela! Ela me disse certa vez “como você bem sabe, seu filho nunca deveria estar saindo com uma mulher como eu!”.
Ela eventualmente veio á fé, e ele segurou a água com a qual ela foi batizada. Na semana seguinte, ele a pediu em casamento, e eles já estão casados há dois anos e meio, ambos crescendo, ambos lutando, ambos se arrependendo. Nós amamos os dois e somos muito gratos por ela pertencer à nossa família e ao corpo de Cristo.
Eu só menciono essa história pessoal porque muitos de nossos amigos no ministério já viram resultados muito diversos – filhos que se casam com alguém de outra fé. A lição da história para mim é que, mesmo em lares pastorais – onde as coisas de Deus são ensinadas e discutidas e onde os filhos têm uma grande oportunidade de acompanhar os conselhos que seus pais dão a casais – filhos crentes brincam com relacionamentos que se desenvolvem mais do que esperam, terminando em casamento que não tem finais felizes. Se isso é verdade nas famílias dos líderes cristãos, o que dirá nas famílias do rebanho?
Precisamos ouvir as vozes de homens e mulheres que estão em casamentos desiguais e aprender, com seus sofrimentos, porque não essa não é uma escolha não só desobediente como muito tola.

*Kathy Keller, esposa do pastor Tim Keller

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

“A Mulher Virtuosa” por Dr. David Murray




É difícil escrever um estudo bíblico sobre “a mulher virtuosa”. A primeira dificuldade é que eu sou homem. E qual é a melhor pessoa para descrever uma mulher virtuosa? Bem, é encorajador o fato de que o escritor de Provérbios 31 era homem. Então, há aqui um precedente bíblico.

A segunda dificuldade é que há muitos exemplos de mulheres ímpias bombardeando-nos diariamente de várias formas, e muitas destas influências nocivas têm se infiltrado na igreja. Contudo, nós devemos crer que a Palavra de Deus é apta não apenas para frear essa torrente de mundanismo, mas até mesmo para extingui-la.

A terceira dificuldade é o volume de material bíblico para estudo. Há muitos versículos relevantes e muitas formas de se abordar este assunto. Nós podemos, por exemplo, percorrer muitos dos exemplos bíblicos positivos e destacar uma virtude que sobressai quando seu nome é mencionado. O que lhe vem à cabeça quando você ouve o nome de Débora? Coragem. Rute? Lealdade. Ana? Abnegação. Maria? Fé. Maria Madalena? Amor. Dorcas? Boas obras, etc. Siga as mulheres piedosas da Bíblia e anote uma qualidade, a que vier imediatamente à sua mente. Então ponha todas essas qualidades juntas e você terá o quadro completo da mulher virtuosa.

Se preferir, você pode listar as mulheres ímpias que aparecem na Bíblia e identificar seus maiores defeitos. O que lhe vem à cabeça quando você pensa em Dalila? Manipulação. Jezabel? Idolatria. Safira? Mentira. Mical? Escárnio. A mulher de Jó? Rebelião. A mulher de Ló? Mundanismo, etc. Ponha todos esses vícios juntos e você terá uma figura completa da mulher ímpia. Ora, eu tenho certeza de que você não procura nada parecido, senão o contrário.

Outra abordagem pode ser observar o ensino de Paulo (Ef. 5:22-33; Tito 2:3-5), ou o ensino de Pedro (1Pe 3:1-7). Mas, neste artigo nós vamos olhar somente para a mulher virtuosa tão belamente descrita em Provérbios 31:10-31. Ajudará se você abrir sua Bíblia nessa passagem para vermos, primeiramente, as características da mulher virtuosa, e então os seus desafios.

AS CARACTERÍSTICAS DA MULHER VIRTUOSA

Antes de qualquer coisa, a mulher virtuosa centra-se em Deus. Ela não liga para o que as pessoas pensam de suas roupas ou de seu visual. Por que? Porque é ao Senhor que ela teme. “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada” (v.30). Esse é o ponto culminante da descrição da mulher virtuosa e aponta a origem primária de todas as suas virtudes. No centro da vida desta mulher está seu relacionamento com Deus, e ela teme tudo que possa vir a ameaçar essa relação. Ela é conhecida como uma mulher que desfruta do favor de Deus e teme, mais do que qualquer outra coisa no mundo, vê-lo aborrecido.
Em segundo lugar, a mulher virtuosa preocupa-se com a Palavra. Como Provérbios nos lembra repetidas vezes: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Não é de surpreender, então, que quando essa mulher temente a Deus fala, “abre sua boca com sabedoria e a instrução da bondade está na sua língua” (v.26). Sua conversa reflete seu interesse principal: a sabedoria revelada de Deus e Sua benevolente lei. A mulher que centra-se em Deus, centra-se na Palavra de Deus. Ela não fica tentando passar a vista em alguns versículos aqui e ali enquanto grita com as crianças e atende ao telefone. Ela levanta alguns minutos mais cedo do que o necessário, com o objetivo de começar o dia com um período calmo e pacífico de leitura da Palavra de Deus. Como isto transforma o dia! Ela agora tem sabedoria e palavras amáveis de Deus para dizer aos outros.
Em terceiro lugar, a mulher virtuosa, se casada, centra-se em seu marido. Ela encontra grande satisfação em ser uma ajudadora para o seu marido (Gn. 2:18). Ela não vê isto como um mandamento humilhante, porque sabe que Deus usa a mesma palavra hebraica (ëzer) para descrever a Si mesmo como o ajudador do Seu povo (Sl. 54:4). Ser uma ajudadora é ser como Deus — que nobre chamado! O papel de ajudadora da mulher virtuosa pode ser resumido em duas palavras: conselho e progresso. Estando preocupada com Deus e Sua Palavra, “o coração do seu marido confia nela” (v.11). Ele a consulta e busca seus piedosos conselhos antes de tomar decisões que dizem respeito a ambos. E, ela não compete com seu marido nem o critica na frente de outros, mas busca seu progresso. “Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida” (v.12). Como resultado, “seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra” (v.23).
Em quarto lugar, a mulher virtuosa, se for mãe, centra-se em seus filhos. “Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa” (v.28). Por que? Porque sua mãe devotou-se a eles todos os dias de suas vidas. Por quatro vezes lemos da preocupação desta mulher com sua “casa” (v.15, 21,27). Se pudéssemos enxergar dentro de sua mente, veríamos esta frase rondando circularmente: “Minha casa, minha casa, minha casa, etc”. Ela não encara os filhos como um acessório necessário, nem como um problema que pode ser repassado. O coração dela está tomado pelos filhos. Ela os ama e cuida de seus corpos, de suas mentes, e de suas almas.
Isso nos conduz à quinta característica da mulher virtuosa. Ela centra-se em sua casa. Ela administra e conduz este complexo e diversificado empreendimento com habilidade, precisão, e eficiência idêntica a dos que compõem as mesas de decisão de muitas grandes corporações. Há um departamento de vestuário (v.13, 19, 21, 24), departamento alimentício (v.14, 16), departamento de decoração (v.22), e departamento financeiro (v.16, 18). Dependendo das circunstâncias, pode haver também um departamento educacional. Tudo isto demanda uma variedade de talentos e de ações dia-a-dia. Para alguém que trabalha fora, tal agenda implicaria numa média de 14 horas de serviço por dia.
E, em sexto lugar, como se não bastasse, há também um departamento de caridade. A mulher virtuosa preocupa-se com os pobres. “Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado” (v.20).
OS DESAFIOS DA MULHER VIRTUOSA
Essas características resultam numa série de desafios.

Primeiramente, há um desafio duplo para a mulher cristã — aprender e conter. Aprender seu papel e suas responsabilidades através da Bíblia, não das novelas. E, conter-se. Se você puder administrar metade de si já será muito. Você não precisa provar-se assumindo outras responsabilidades fora do lar. Perceba quais seus limites dentro de casa mesmo, dentro da própria família. Ter muitos alvos freqüentemente resulta em uma tensão quase insuportável que sugará seu tempo e seus dons. Então, você tem de primeiro cuidar de si, antes que possa cuidar dos outros. Atente para o verso 17: “Cinge os lombos de força e fortalece os braços”. Um pregador sugeriu que, trazendo para nossa linguagem, isto poderia ser parafraseado como: “Ela vai à academia puxar ferro!” Bom, não sei se é bem isso, mas, deu para você ter uma idéia. Perfeição é algo impossível neste mundo. Você deve saber seus limites e trabalhar dentro deles. Tome tempo para refrigerar sua alma e renovar suas forças. Cuide da mulher interior. E, não se sinta culpada por cuidar da exterior (v. 22).
Em segundo lugar, há um duplo desafio para os maridos — apreciar e aliviar. Se você tem uma esposa como esta, então lembre-se que você tem algo mais precioso do que rubis (v.10), uma benção pela qual deve louvar a Deus (v.28). Repare que esse mesmo verso também fala do marido: “Ele a louva”. Expresse seu apreço por tudo que ela está fazendo por você e seus filhos. Mas não só aprecie, também lhe dê alívio. Palavras custam pouco. Há ações bem mais dispendiosas. A vida do homem geralmente não tem a multiplicidade de tarefas que tem a da mulher. Nós temos nosso trabalho e… nosso trabalho. Então, que tal pegar as crianças por algumas horas? Em último caso arranje uma babá e saia com sua esposa para jantar. Faça-a experimentar a verdade de seus elogios.
Em terceiro lugar, há um desafio duplo para os pais — modelar e moldar. As mães, em especial, têm o papel de modelar as mulheres piedosas. Mas os pais têm o papel de mostrar a seus filhos como as mulheres piedosas devem ser guardadas e tratadas. Modelar pelo exemplo e moldar pelo ensino. Ensine seus filhos sobre verdadeira masculinidade e feminilidade através da Bíblia. Mostre a eles que o plano de Deus para a humanidade é muito mais bonito, nobre, e dignificante do que o do mundo.
Em quarto lugar, há um duplo desafio para a Igreja — empatia e auxílio. Mulheres virtuosas, e especialmente as jovens, precisam de nossa compreensão e encorajamento. Elas têm uma tarefa humanamente impossível. E não precisam da igreja pondo ainda mais exigências. Precisam é de nossas orações e de nossa ajuda prática se a pudermos dar. Senhoras, que tal passarem uma manhã durante a semana cuidando de uma mãe cristã, e levá-la para tomar um café?! Que alívio, mesmo que seja apenas uma ou duas horas livre de responsabilidades. Isto pode transformar a semana para muitas estressadas filhas de Deus.
Mulheres virtuosas, nos levantamos a uma só voz para louvá-las, e bendizemos a Deus por ter nos dado vocês. “Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas” (v.29).

Questões
O que a variedade de referências bíblicas a respeito da influência das mulheres lhe diz sobre a importância deste assunto? Explique.

Faça uma lista das muitas mulheres piedosas na Bíblia, quantas você puder encontrar (use um Dicionário Bíblico se necessário) e explique como elas serviram a Deus e promoveram Seu reino sendo verdadeiras ajudadoras.

Faça uma lista das mulheres ímpias na Bíblia (se necessário, use um Dicionário Bíblico) e explique como elas foram um grande obstáculo ao progresso do reino de Deus e tiveram uma influência e impacto destrutivos.

Cheque as seguintes passagens bíblicas e escreva um breve sumário do que cada uma ensina sobre o papel da mulher virtuosa na relação com seu esposo, com seus filhos e com a igreja: Efésios 5:22-33; Tito 2:3-5, 1 Pedro 3:1-7.

À luz do que você estudou, reflita e discuta como os maridos e a igreja podem ajudar as mulheres a enfrentar os desafios da nossa atual cultura.

Reflita e discuta sobre como as mulheres piedosas, auxiliadas por homens tementes a Deus e sob o ministério de uma igreja bíblica podem ser uma grande e benéfica influência em suas famílias, igrejas e na sociedade em geral.
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Fonte: Blog Projeto Os Puritanos

*Dr. David Murray ensina Antigo Testamento a Teologia Prática no Puritan Reformed Theological Seminary em Grand Rapids, Michigan, EUA. Ele nasceu em Glasgow, Escócia. Ele foi pastor por 12 anos, primeiro em Lochcarron Free Church of Scotland e depois em Stornoway Free Church of Scotland (Continuing). Ele e sua esposa, Shona, têm quatro filhos: Allan, Angus, Joni, e Amy. Ele também bloga no Head Heart Hand.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A Humanidade de Cristo






Por R. C. Sproul

João 1.1-14; Gálatas 4.4; Filipenses 2.5-11; Hebreus 2.14-18; Hebreus 4.15

Uma das doutrinas mais vitais do Cristianismo histórico é que o Deus Filho to­mou uma verdadeira natureza humana. O grande Concilio de Calcedônia, no ano 451 da era cristã, afirmou que Jesus é verdadeiramente homem e verdadeira­mente Deus, e que suas duas naturezas são assim unidas, sem mistura, confusão, separação ou divisão, cada natureza retendo seus próprios atributos.

A humanidade real de Jesus tem sido atacada principalmente em dois aspectos. A Igreja primitiva teve de lutar contra a heresia do docetismo, a qual ensinava que Jesus não tinha um corpo físico real ou uma verdadeira natureza humana. Essa doutrina argumentava que Jesus apenas "parecia" ter um corpo, mas na realidade ele era uma espécie de ser fantasmagórico. Justamente contra isso, João declarou veementemente que aquele que negasse que Jesus realmente se manifestou na carne era do Anticristo.

A outra grande heresia que a Igreja rejeitou foi a heresia do monofisismo, a qual argumentava que Jesus não tinha duas naturezas, mas apenas uma. Essa natureza única não era totalmente divina nem totalmente humana, mas um misto de ambas. Essa natureza era chamada "teantrópica". A heresia do monofisismo defende uma natureza humana deificada ou uma natureza divina humanizada.

Formas sutis de monofisismo têm ameaçado a Igreja em todas as gera­ções. A tendência segue na direção de permitir que a natureza humana seja engolfada pela natureza divina de tal maneira que as limitações reais da humani­dade de Jesus são removidas.

Temos de distinguir entre as duas naturezas de Jesus sem separá-las. Quando Jesus demonstrava fome, por exemplo, vemos isso como uma manifes­tação da natureza humana, não da divina. O que se diz sobre a natureza divina ou da natureza humana pode ser afirmado com relação à pessoa. Na cruz, por exemplo, Cristo, o Deus-homem, morreu. Isso, entretanto, não quer dizer que Deus morreu na cruz. Embora as duas naturezas permanecessem unidas depois da ascensão de Cristo, ainda temos de distinguir as naturezas, considerando o modo como ele está presente conosco. Com relação à sua natureza humana, Cristo não mais está presente conosco. Entretanto, em sua natureza divina, Cris­to nunca está ausente de nós.

A humanidade de Cristo é como a nossa. Ele tornou-se homem "por nossa causa". Ele entrou em nossa situação para agir como nosso Redentor.

Tornou-se nosso substituto, tomando sobre si nossos pecados, a fim de sofrer em nosso lugar. Ele também tornou-se nosso campeão, cumprindo a Lei de Deus em nosso favor.

Na redenção, existe uma dupla mudança. Nossos pecados são atribuí­dos a Jesus. Sua justiça é atribuída a nós. Ele recebe o castigo merecido pela nossa humanidade imperfeita, enquanto nós recebemos a bênção por causa da sua humanidade perfeita. Em sua humanidade, Jesus tinha as mesmas limitações comuns a todos os seres humanos, exceto que ele era sem pecado. Em sua natureza humana, ele não era onisciente. Seu conhecimento, embora fosse acurado e exato, não era infinito. Havia coisas que ele não sabia, como por exemplo, o dia e a hora de sua volta à Terra. E claro que em sua natureza divina ele é onisci­ente e seu conhecimento é ilimitado.

A Humanidade de Cristo, Jesus estava restrito pelo tempo e espaço. Como todo ser humano, ele não podia estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ele suava. Sentia fome. Chorava. Sofria dores. Ele era mortal, capaz de sofrer a morte. Em todos esses aspectos, Jesus era como nós.

Fonte: Eleitos de Deus

Via: Teologia em Foco

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MISSÕES - Alexander Duff (1806-1878)




Missionário e Mestre Cristão na Índia

Alexander Duff (1806-1878) foi um missionário presbiteriano escocês enviado à Índia. Ele foi o primeiro missionário enviado além-mar pela Igreja da Escócia e que se notabilizou porque, na evangelização de hindus e muçulmanos, criou uma estratégia que, mesmo tendo sido mal compreendida inicialmente, terminou sendo popularizada por missionários de todo o mundo.

O missionário escocês era um homem que havia se preparado teológica e secularmente para servir a Deus. Era piedoso e um exímio ensinador. Porém, ao chegar à Índia em 1830, encontrou dificuldades para ganhar vidas para Cristo. As comunidades hindus e muçulmanas eram, à época, extremamente fechadas e Duff não sabia como penetrá-las com a mensagem do Evangelho. Até que, depois de perceber que as crianças indianas não estavam recebendo ensino adequado nas escolas Bengali, ele orou a Deus e sentiu da parte do Senhor a aprovação para criar uma escola diferente para hindus e mulçumanos na Índia. Nela, eles teriam educação de qualidade, aprendendo as ciências de forma a não deixar a desejar a nenhuma instituição de ensino européia, e também seriam apresentados a princípios da fé cristã.

A escola de Duff começou com cinco alunos, mas chegou rapidamente a 300. Ela atraía principalmente pais da elite indiana desejosos a dar a seus filhos uma educação de melhor qualidade, mas sem precisar enviá-los à Europa. A educação era em inglês. Na escola, os alunos primeiro aprendiam o inglês para depois estudarem as demais matérias.

Apesar do sucesso da instituição, que influenciou o governo indiano a mudar a sua política educacional no país, investindo em um ensino de melhor qualidade, Duff chegou a ser criticado por seus irmãos em Cristo na Escócia porque sua estratégia de envagelização por meio de uma instituição de ensino secular dera poucos resultados. Em três anos de fundação da escola, só quatro indianos haviam se convertido. Mas, Duff prosseguiu. Sua visão era de que suas escolas (em pouco tempo, abriria outras) acabariam minando a resistência entre os hindus e muçulmanos aos ocidentais e, assim à mensagem do Evangelho.

Depois de anos de ensino e milhares de alunos, o missionário voltou à Escócia deixando na Índia uma igreja com 33 membros. Aos olhos humanos, foi considerado, por muitos, ineficiente. Entretanto, os anos seguintes provariam o contrário. Depois da morte de Duff, alguns de seus alunos, por serem de alta classe social, pessoas de grande influência na sociedade indiana, começaram a ganhar muitas vidas para Cristo. Assim, o Evangelho começou a se propagar na Índia, conquistando milhares de vidas, e o aparente fracasso se mostrou, mais à frente, uma vitória. Tanto que outros missionários passaram a imitá-lo mundo afora, acrescentando à sua atividade evangelizadora a fundação de instituições de ensino nos países onde eram enviados para evangelizar.

O ardor de Alexandre Duff

O missionário escocês na índia, Alexander Duff, regressou à sua pátria para morrer lá, depois de uma árdua luta. Em uma reunião em sua igreja, pregava, e apelava aos seus patrícios que se apresentassem para o prosseguimento da obra. Ninguém atendia ao seu apelo. Insistia. Nada. Empolgado, desmaiou e foi levado para fora. 0 médico que o atendeu examinava o seu coração, quando repentinamente, Alexandre abriu os olhos, dizendo:
- Eu preciso voltar ao púlpito. Preciso continuar o apelo.
- Fique calmo - aconselhou o médico. O seu coração está muito fraco.
Mas o velho missionário não se conformou. Voltou ao púlpito e continuou o apelo:
- Quando a rainha Vitória convidou voluntários, centenas de jovens se apresentaram. Mas quando o rei Jesus chama, ninguém quer atender. Será que a Escócia não tem mais filhos para atender ao apelo da Índia? - frisou ele.
Esperou um pouco em silêncio e não houve resposta. Depois disse:
- Muito bem. Se a Escócia não tem mais jovens para enviar para a Índia, eu mesmo irei novamente, para que o povo dali saiba que pelo menos um escocês ainda se preocupa com eles.
Quando o veterano soldado de Cristo deixou o púlpito, o silêncio foi quebrado por uma multidão de jovens que se apresentaram:
- Eu vou! Eu vou! Eu vou!
Depois do falecimento de Duff, muitos daqueles jovens foram para a Índia, dedicando suas vidas à obra missionária.


"Rogai pois ao Senhor da seara que mande ceifeiros Para a sua seara" (Mt 9.38).



Fonte: IGREJA PRESBITERIANA DE CAPOEIRAS